ESCREVO, LOGO EXISTO
19 de maio 2010 –Começo a escrever
Computador consertado e instalado com Internet na salinha dos fundos, me facilita uma escrita mais constante. Resolvi que vou escrever sempre que possível, desejável ou necessário. Por prazer, por registro, para lembrança, terapia ou o que seja.
-Gosto das pequenas conquistas diárias como fazer um conserto necessário, bolar uma maneira mais prática de resolver algo, falar com alguém que precisava, pagar uma dívida, encerrar uma obrigação, organizar alguma coisa. No momento me satisfaço em observar os passarinhos disputando as frutas que coloquei no comedouro que montei num tronco de árvore no quintal. Tem saíra de muitas cores, tem o tié-sangue de um vermelho incrível, tem muitos outros. Lindos! Como nada é perfeito, tem vespas famintas por frutas que me picaram na mão quando tentei lhes explicar que não eram para elas.
-Estado de ânimo. Há dias em que já levanto acabrunhado, com os problemas ainda sem solução na cabeça, com lembranças desagradáveis e sem vontade de nada a não ser a esperança de que algo ou alguém me tire dessa letargia. Isso geralmente nos dias nublados ou quando se acumulam situações de difícil solução. Mas hoje estou bem desde cedo. Várias coisas deram certo ou já estão com soluções encaminhadas, fiz algumas coisas prazerosas como começar a escrever, atrair os pássaros para perto, e fazer pequenas ajudas a algumas pessoas.
-Um filme à noite. “A Força da Amizade” – O título já diz. Homem morre, é cremado e a companheira recebe a filha dele que quer as cinzas para fazer o enterro ou a casa onde ela mora. A mulher prometeu ao falecido esparramar as cinzas mas não quer perder a casa. Duas amigas a acompanham até onde será o enterro... Uma sucessão de acontecimentos vai demonstrando o quanto boas amizades dão força para enfrentar os revezes da vida.
Noite de 25, terça-feira – Pizza e conversa sob o guarda-chuvão
-Minha casa tá ficando como gosto: espaçosa, simples, prática, um lugar pra cada coisa. Mas muitas coisas fora do lugar, até que eu arrume, o que às vezes é no ato, às vezes pode levar meses. Lá fora, no meio da grama, com vista pra mata, um grande círculo de cimento com mesa e cadeiras, é o lugar para estar, tomar sol, lambiscar, conversar. Agora à noite veio a Sonia com uma pizza muito boa do Perequim. Berinjela ao pesto e palmito com lombinho, tudo coberto com mussarela de búfala. E conversas sob o grande guarda-chuva branco que cobre o cimentado.
-O assunto eram as artes do Banzé, a saúde da Lana, a inteligência dos animais, a possibilidade de virem a ser enxertados do gene da fala pra se tornarem de vez nossos melhores amigos. Ou não.
-Não seria a fala o causador de tanta discórdia entre os homens? Ou pelo menos uma capa mentirosa das verdadeiras emoções? Mas não é também um recurso incrível para externarmos essas emoções? That is the question!
Manhã de 26, antes que chegue a faxineira – Blog inter-família?
Acordei pensando: porque não envio por e-mail às filhas que estão longe o que vou escrevendo? Elas ficariam sabendo com mais detalhes quem é afinal esta figura às vezes estranha, às vezes complicada que as gerou e as ama tão incondicionalmente. Canal aberto, sem distâncias, de comunicação, de atualização, de convivência. Elas poderão entrar, escrever também, responder, comentar, contestar. E os genros, a Sonia, podem? Claaaaro! E quem mais quiser.
É noite – E eu penso enquanto escrevo:
-é Escrevo, logo existo,
-é Escrevo. Logo existo,
-ou é Escrevo. Logo, existo. ?
-Fui tirar a dúvida no Google e encontrei uma boa explicação para “Penso, logo existo”:
“O filósofo francés René Descartes (pronuncia-se "decárte") escreveu essa frase em latim: Cogito, ergo sum. Ele quis dizer que o fato de pensar assegura à mente o fato da própria existência psicológica. Em outras palavras, quando ela se dá conta de que está pensando, pode ter certeza de que existe.” Essa palavrinha “psicológica” tirou uma dúvida que tive a vida toda. Eu pensava na existência física.
To com sono. Logo, vou dormir. Mas não sei se durmo logo.
Boa noite.
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Demorei a abrir o anexo que chegou por e-mail. A família é até espertinha pra tecnologia, mas ainda usa muitos recursos antigos, prefere o Word ao Scrap, o SMS ao Post. Estou sempre com preguiça para abrir mensagens e textos reflexivos, então guardo o e-mail, mas não leio. Algumas semanas se passam e vou até Ubatuba, pras casas dos pais, quando conversando ao vivo comentam que o anexo não é uma divagação qualquer, mas um ensaio de meu pai que teve a idéia de montar um canal de comunicação mais ágil entre a família. Fiquei cm a orelhinha em pé e só hoje vim ler com calma que ele havia escrito. Sorrio, rio, gargalho, quase choro no meio e fico pensativa no final. "Porque não?" Pela falta de tempo e de ânimo; pela levianidade com que nós, jovens, encaramos os fatos cotidianos, dando-lhes pouco crédito; pela timidez de escrever publicamente... mil motivos me levariam a não fazer este blog, mas um me convenceu do contrário: a vontade do pai. Posso até ver o rosto feliz dele ao receber a mensagem com o endereço do blog idealizado, seu olhar de concentração ao escrever as primeiras palavras, um misto de menino maroto e sábio ancião. Pois bem, então agora é fato: este é o blog da Família Botteon Bergamaschi e seus queridos agregados. Espero que gostem! E como diria minha irmã: "catuca pai, mãe, filha, eu também sou da família também quero catucar!"
ResponderExcluirPoxa, filha, agora me humilhou. Eu crente que estava por cima da vaca informática e você vem com Scrap e Post de que nunca ouvi falar. Humilhação construtiva porque agora vou saber. Essa é a idéia: membros comunicantes, família toda up to date. Ninguém fica prá trás; melhor do que a Comunidade Européia. Eu catuquei, cê catucou, vamos ver quem mais vai catucar.
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